Poucas cidades brasileiras de 90 mil habitantes têm um aeroporto internacional dentro do território. Navegantes tem, e ele é o quarto mais movimentado do Sul do país.
O Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder atende bem mais que a própria cidade. Ele é a porta de entrada aérea de Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau, Brusque, Itapema e boa parte do Vale do Itajaí.
Este artigo explica em que pé está a modernização do terminal e por que uma parte importante do projeto ainda não saiu do papel.
O ponto de partida
O aeroporto foi concedido à iniciativa privada em 2021, no leilão do Bloco Sul, e passou à administração da CCR Aeroportos em 2022, em contrato de 30 anos.
Antes disso, em 2021, a Infraero havia entregue uma reforma de R$ 61,7 milhões que praticamente triplicou o terminal de passageiros e ampliou a sala de embarque em cerca de cinco vezes.
Em 2024, o aeroporto registrou 2,2 milhões de passageiros. Na alta temporada, chega a operar até 68 voos por dia, com o pátio de aeronaves lotado.
O que já foi entregue
Sob a concessão, cerca de R$ 80 milhões foram aplicados em melhorias, com destaque para:
- Ampliação da pista de pousos e decolagens para 1.800 metros
- Adequação das pistas de taxiamento
- Implantação de áreas de segurança de fim de pista, as RESAs
- Operação 24 horas durante a alta temporada
A ampliação da pista, somada ao novo número de classificação de pavimento, permite operação de aeronaves de maior porte. É o que viabilizou o crescimento da operação de carga.
O que está previsto
O projeto de modernização anunciado prevê investimento da ordem de R$ 300 milhões e inclui:
- Novo terminal de passageiros de cerca de 12 mil m²
- Três pontes de embarque, que hoje não existem no terminal atual
- Ampliação do pátio para até nove aeronaves simultâneas, cerca de 50% a mais que a capacidade atual
- Mais opções de alimentação e varejo
- Novo acesso viário, com via exclusiva, calçada ampliada para embarque e desembarque e bolsão para ônibus e vans de turismo
- Cidade de Hangares, com áreas destinadas à aviação geral e executiva
A ampliação do pátio é o item mais estratégico e o menos comentado. Vaga para pernoite de aeronave é o que determina quantos voos um aeroporto consegue receber na alta temporada. Sem pátio, não adianta ter demanda.

O ponto que ainda não está resolvido
Aqui vale honestidade, porque este é o assunto que o setor produtivo da região acompanha há anos.
A construção de uma nova pista, de 2.600 metros, não estava entre as obrigações previstas no contrato de concessão. A pista atual tem 1.800 metros, o que limita o porte das aeronaves e o alcance dos voos.
O tema foi retomado a partir de audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal e da formação de um grupo de trabalho para levantar custos, desapropriações e prazos. A discussão envolve reequilíbrio do contrato com a concessionária e preservação do sítio aeroportuário.
Não há, até aqui, data definida para essa obra. Quem acompanha o assunto deve tratar a nova pista como projeto em discussão, não como investimento contratado.
A parte que quase ninguém vê: a carga
Navegantes concentra o maior volume de carga aérea internacional de Santa Catarina.
Esse fluxo atende a indústria têxtil do Vale do Itajaí, o polo metalmecânico do norte catarinense e a cadeia de comércio exterior que já orbita o complexo portuário. Em dezembro de 2025, o aeroporto oficializou operação cargueira internacional, reforçando esse papel.
Na prática, o aeroporto não é apenas infraestrutura de turismo. É infraestrutura logística, e isso muda o tipo de empresa e de emprego que a região atrai.
O efeito na cidade
Três consequências concretas para quem mora ou pensa em morar aqui:
Conectividade. Ter voo direto para grandes capitais a poucos minutos de casa é um diferencial real de qualidade de vida, especialmente para quem trabalha com viagens frequentes.
Emprego qualificado. Operação aeroportuária, logística de carga, manutenção, comércio exterior. São postos técnicos e administrativos que não existem em cidade litorânea sem essa estrutura.
Demanda por moradia. Profissionais que trabalham no aeroporto ou nas empresas do entorno tendem a morar perto. Isso sustenta o mercado imobiliário da região com procura permanente, não sazonal.
Há também o outro lado, que é o ruído aeronáutico e as restrições de gabarito impostas pelo cone de aproximação. São limitações reais em determinadas áreas da cidade, e influenciam onde é possível construir e com quantos pavimentos.
Uma cidade com três infraestruturas
Porto, aeroporto e polo naval no mesmo município. É uma combinação incomum, e é boa parte da explicação de por que Navegantes cresce mais rápido que a média catarinense, à frente de várias cidades vizinhas.
A Maga Empreendimentos constrói em Navegantes há anos e acompanha de perto esse desenvolvimento. Fale com nossa equipe.