Depois de 22 dias de operação contínua e R$ 31,5 milhões investidos, a Praia do Gravatá foi oficialmente liberada para a população em 12 de agosto de 2026, com aval do Corpo de Bombeiros Militar. A orla que em dias de maré alta praticamente desaparecia hoje tem cerca de 70 metros de faixa de areia ao longo de 2,3 quilômetros.
Quem mora em Navegantes já percebeu a diferença na paisagem. Mas o que essa obra muda de fato na rotina da cidade — e o que ela significa para quem pensa em comprar um imóvel na região? É o que este guia explica, sem atalhos e sem promessas fáceis.
O que foi feito, em números
A técnica é chamada de engordamento (ou alimentação artificial) de praia. Na prática, funciona assim: uma draga retira sedimento de uma área autorizada no fundo do mar, transporta o material em seu compartimento interno e o bombeia até a costa por tubulações. Em terra, máquinas espalham a areia. Nos dias seguintes, as ondas, as marés e o próprio peso do material fazem a acomodação natural.
Os números da obra:
- 2,3 quilômetros de extensão, entre a região do Rio das Pedras e o Molhe do Gravatá
- Cerca de 70 metros de faixa de areia projetada, considerando o levantamento das marés médias
- R$ 31,5 milhões de investimento
- 22 dias de operação, iniciada em 20 de julho de 2026
- Execução da Jan De Nul, multinacional belga de engenharia marítima, com a draga Galileo Galilei

O problema que a obra veio resolver
O objetivo principal não foi estético. Foi conter o avanço da erosão costeira.
Uma faixa de areia larga funciona como amortecedor entre o mar e a cidade. Ela absorve a energia das ondas antes que elas cheguem às estruturas urbanas — vias, calçadas, redes de drenagem, muros de contenção e os próprios imóveis da primeira quadra. Quando essa faixa encolhe, cada ressaca cobra um preço maior da infraestrutura.
Era exatamente o que vinha acontecendo no Gravatá. Em trechos, a areia sumia na maré alta e o acesso à praia ficava inviável para boa parte do ano.
Vale registrar que a obra seguiu exigências ambientais do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). Nos trechos com restinga, foram construídas barreiras de areia para proteger a vegetação nativa da passagem do maquinário pesado. As pedras de contenção existentes foram cobertas pelo novo sedimento.
O que muda no dia a dia de quem mora ali
Três mudanças concretas, que já aparecem nas primeiras semanas de uso:
A praia deixa de ter horário. Antes, o uso da orla dependia da tábua das marés. Com 70 metros de areia, a faixa continua utilizável mesmo nos períodos de maré cheia — e isso muda a relação de quem mora no bairro com a praia, que passa a ser um espaço do cotidiano e não apenas da temporada.
Espaço real para lazer. Caminhada, corrida, futebol, vôlei de praia, guarda-sol com espaço entre as famílias. Coisas simples que uma orla estreita não comporta.
Fôlego para o verão. Navegantes recebe um volume grande de visitantes na alta temporada, e a capacidade da orla é um gargalo direto para o comércio, os quiosques e os serviços do entorno. Uma praia mais larga distribui melhor esse público.
O que ainda está em ajuste (e é honesto dizer)
Uma obra dessa natureza não termina no dia da liberação.
Nas semanas seguintes ao engordamento, é comum a formação de escarpas — desníveis temporários na areia, provocados pela ação do mar após ressacas, marés altas e tempestades. A Prefeitura informou que fará o trabalho de quebra e espalhamento desses desníveis com equipamentos, justamente para manter a segurança de quem usa a praia. É um processo de acomodação, não um defeito.
E há um ponto maior, que vale acompanhar: a areia sozinha não requalifica uma orla. O que vai determinar se a nova faixa vira espaço de convivência o ano inteiro é o entorno — calçadão, iluminação, acessos, drenagem, sinalização, acessibilidade e conservação. Essa é a próxima etapa a observar, e ela não depende da draga.
E o mercado imobiliário?
Aqui vale um cuidado que boa parte do mercado não toma.
Sim, uma orla requalificada aumenta a atratividade de um bairro que já era o mais valorizado da cidade. Mas obra de praia não é gatilho automático de valorização, e parte da expectativa costuma já estar precificada nos imóveis da região antes mesmo da entrega. Quem compra hoje esperando um salto imediato só por causa da areia está comprando expectativa, não fundamento.
O que continua determinando o valor de um imóvel no litoral é o de sempre:
- Distância real da orla, medida em quadras — não em “pertinho da praia” de anúncio
- Qualidade construtiva e documentação em ordem, com obra regularizada e prazo confiável
- Especificação de materiais preparados para o litoral, onde maresia e umidade cobram caro de quem economizou no lugar errado
- Coerência entre o preço pedido e o metro quadrado por bairro em Navegantes
A obra do Gravatá entra nessa conta como um fator positivo de contexto. Não como o único.
Como aproveitar a nova orla neste verão
O verão 2026/2027 será o primeiro com a praia em sua nova configuração. Algumas orientações práticas para os próximos meses:
- Respeite a sinalização nos trechos onde ainda houver serviços de retirada de tubulação ou nivelamento
- Atenção às escarpas em dias seguintes a ressacas, especialmente com crianças
- Nos trechos com restinga, mantenha a circulação pelos acessos — a vegetação é parte do sistema de proteção da orla

Um bom momento para conhecer o bairro
Se você acompanha o mercado de morar em Navegantes, este é um momento interessante para visitar o Gravatá pessoalmente. Não pelos números da obra, mas para sentir o bairro: o deslocamento até o centro, a estrutura de comércio e serviços, o movimento da orla em um dia comum.
A Maga Empreendimentos constrói em Navegantes com atenção a esse tipo de detalhe — desde a escolha de materiais adequados ao ambiente litorâneo até a transparência em cada etapa da obra. Se quiser conversar sobre as opções disponíveis na região, nossa equipe está à disposição.
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