Itajaí e Navegantes são separadas por um rio de algumas centenas de metros. Na prática, atravessar de uma para outra significa pegar ferry-boat ou dar a volta pela BR-101.
Existe um projeto para resolver isso, e ele é ambicioso. Vale entender o que já está encaminhado e, principalmente, o que ainda não está, porque a diferença entre as duas coisas costuma se perder na conversa de mesa de bar.
O que é o projeto
O túnel faz parte do Promobis, o Programa de Mobilidade Integrada Sustentável do CIM-Amfri, consórcio que reúne os 11 municípios da região da Foz do Rio Itajaí.
A tecnologia escolhida é a de túnel imerso. Em vez de escavar sob o leito do rio, os segmentos do túnel são construídos em terra, transportados por flutuação e afundados numa vala aberta no fundo, onde são conectados. É um método já aplicado em mais de 150 projetos no mundo, incluindo a ligação entre Santos e Guarujá e o túnel que vai conectar Dinamarca e Alemanha.
As especificações
Os números do projeto, conforme divulgado:
- Cerca de 548 metros de extensão
- Aproximadamente 30 metros de profundidade
- Três faixas de rolamento por sentido, sendo uma exclusiva para transporte coletivo
- Ciclovia e passagem para pedestres
- Investimento estimado em US$ 342 milhões
O detalhe da faixa exclusiva não é decorativo. Ela conecta o túnel ao sistema de BRT 100% elétrico previsto no Promobis, que deve interligar os municípios da Amfri.
O que já aconteceu
O projeto avançou de forma consistente ao longo de 2026:
- O Senado autorizou a contratação de financiamento internacional
- O Banco Mundial emitiu a chamada “não objeção” ao termo de referência dos estudos
- Em junho de 2026, foi publicada solicitação de manifestação de interesse para selecionar a empresa que fará os estudos técnicos
- Os municípios seguem formalizando os processos internos para assinatura do contrato com o Banco Mundial
Há um ineditismo relevante aqui: é o primeiro consórcio de municípios do Brasil a contratar financiamento diretamente com o Banco Mundial.
O que ainda não está definido
Esta é a parte que interessa a quem quer expectativa realista.
Não há projeto executivo. O que está sendo contratado agora são os estudos: engenharia, demanda de tráfego, avaliação socioambiental, modelagem econômico-financeira e jurídica.
Não há licitação de obra. A estimativa do CIM-Amfri é concluir a modelagem em cerca de dois anos, e a previsão é que a licitação seja lançada entre 18 e 24 meses após a assinatura do contrato com o Banco Mundial.
Não há data de início de obra e nem de entrega.
Somando os prazos divulgados, é razoável trabalhar com a hipótese de que a obra comece na virada da década, e não antes. Túnel imerso é obra complexa, e o prazo de execução se soma a isso.
Como interpretar isso
Vale separar duas leituras que costumam ser confundidas.
A leitura ruim: tratar o túnel como entrega iminente e usar isso como argumento de valorização imobiliária imediata. Não é. Um projeto em fase de contratação de estudos está muito longe de concreto no fundo do rio.
A leitura útil: o túnel é sinal de que a região está sendo planejada como unidade, e não como municípios isolados. O Promobis inclui, além do túnel, o BRT elétrico intermunicipal, ligações viárias, pontes, viadutos e vias de integração entre bairros. Existe ainda estudo para a Ferrovia dos Portos, com cerca de 62 quilômetros ligando Navegantes a Araquari.
Esse conjunto, e não o túnel isolado, é o que importa para quem pensa a região em horizonte de dez ou vinte anos.
O problema que ele resolve
Hoje a travessia entre Itajaí e Navegantes depende de ferry-boat, com capacidade limitada e sujeito a condições do rio, ou do desvio pela BR-101, que já opera saturada em vários trechos do litoral norte.

Isso afeta trabalhador que mora de um lado e trabalha do outro, e afeta o escoamento do complexo portuário.
O túnel muda essa equação de forma estrutural. Ele integra dois mercados de trabalho que hoje funcionam com atrito, e essa integração tem efeito real sobre onde as pessoas escolhem morar entre as cidades da região.
E o mercado imobiliário
Com honestidade: o efeito existe, mas é de longo prazo, e boa parte da expectativa costuma ser antecipada nos preços muito antes da entrega da obra.
Quem compra imóvel hoje contando com o túnel está comprando uma promessa com prazo indefinido. Quem compra por motivos que se sustentam sozinhos, como localização, qualidade construtiva e coerência de preço, e enxerga o túnel como bônus futuro, está fazendo a conta certa.
É a mesma lógica que vale para avaliar qualquer tendência do mercado imobiliário local.
Acompanhe, sem contar com
O projeto merece acompanhamento. Ele é sério, tem financiamento internacional encaminhado e envolve os 11 municípios da região.
Mas planejamento financeiro pessoal não deve depender de obra que ainda não tem projeto executivo.
A Maga Empreendimentos constrói em Navegantes com foco no que já existe hoje. Fale com nossa equipe.